Tecnologias incluem pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Criado em 2011, o LEAD, Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Dell Technologies, elabora projetos para incluir, capacitar e empregar pessoas com deficiência no Brasil (e mundo afora)

Foto: Dell Technologies

De acordo com uma pesquisa do IBGE de 2010, quase 24% dos brasileiros (45 milhões de pessoas) têm algum tipo de deficiência. Paralelamente, dados da Rais (Relatório Anual de Informações Sociais) de 2016 apontam que apenas 418 mil pessoas com deficiência estão empregadas, sendo que a Lei de Cotas vigente no Brasil prevê que empresas com mais de 100 funcionários devem garantir vagas a pessoas com deficiência.

Dedicada em mudar esse cenário, a Dell Technologies criou, em 2011, o Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, chamado de LEAD (lead, de conduzir em inglês). “Queríamos entender o motivo de pessoas com deficiência estarem fora do mercado de trabalho. Percebemos que isso acontecia por falta de qualificação”, conta Éder Soares, gerente de projetos em inovação e líder do LEAD. 

Segundo Éder, a falta de qualificação é consequência da carência de acessibilidade e inclusão na educação. “Até pouco tempo, não era obrigatório ter um intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) na sala de aula. Como uma pessoa surda aprendia?”, exemplifica.

Considerando esse déficit na educação, a Dell Technologies se comprometeu a ajudar na qualificação de pessoas com deficiência para que a própria companhia – mas não só ela –  pudesse contratá-las. A equipe do LEAD é formada por 47 colaboradores com deficiência — 44 da Dell e três da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Logo no ano de estreia, em 2011, o centro desenvolveu seu primeiro produto: uma plataforma gratuita de ensino à distância acessível para qualquer interessado a partir do 9º ano escolar.

Como funciona uma plataforma grátis de ensino à distância

Nesse programa, é possível alterar as cores de fundo e da fonte, adicionar e tirar serifa de caracteres, aumentar contraste, acionar comando de voz e leitura de tela, entre outras facilidades. Dessa forma, pessoas surdas, cegas, disléxicas, daltônicas e com deficiências intelectuais também podem acessá-lo.

A ferramenta tem mais de mil horas de conteúdo sobre as áreas de Negócios e Tecnologias da Informação em português, inglês, Libras — o principal idioma das pessoas surdas no Brasil — e na língua americana de sinais.

“Queremos usar a tecnologia para que a humanidade prospere, bem como fazer diferença nas comunidades nas quais estamos inseridos”, afirma Éder. E já estão fazendo. Até agora, das cerca de 4700 pessoas matriculadas no programa, 93% dizem estar satisfeitas.

O LEAD e outras soluções de inclusão

STEVE, MAIA, ARTRADE, STUART e WAL. Eles parecem — e até são — nomes de pessoas, mas, no LEAD, batizam projetos que têm um papel na inclusão de pessoas com deficiência. Eles não são baseados em tecnologias simples, pelo contrário: poderiam estar em um filme de ficção científica que se passa em 2050. Mas já são parte da realidade.

Diferente do curso de ensino à distância, essas soluções estão sendo desenvolvidas para uso interno na Dell Technologies. Isso não as impede, no entanto, de chegarem ao mercado no futuro. Conheça mais sobre elas:

Exoesqueleto permite deficientes físicos ficarem de pé

Foto: Dell Technologies

Nomeado em homenagem ao traje high tech do filme “O Terno de Dois Bilhões de Dólares” (2002), STEVE é um exoesqueleto que faz com que pessoas com limitações nos membros inferiores possam ficar de pé e trabalhar nas fábricas da Dell.

“As plantas das fábricas são muito restritas, então o espaço é apertado. As cadeiras de rodas e de stand up não conseguem se posicionar dentro do ambiente”, explica Éder. “Com o STEVE, as pessoas com deficiência podem trabalhar na linha de produção.”

Conversor de sons inclui pessoas surdas em rodízio de funções

Normalmente, há uma rotação de funções entre os profissionais da linha de produção para que todos saibam fazer todos os trabalhos. Para isso, surgiu o MAIA (Mobile Aware Intermodal Assistant), que converte sinais sonoros em sinais visuais, o que permite incluir pessoas surdas nesse rodízio sem impactar o processo de produção.

“Existe uma posição chamada quick test, na qual o computador em fabricação é testado como se estivesse sendo manuseado por um usuário comum. No teste sonoro, a pessoa surda não podia realizá-lo sozinha”, conta.

O MAIA já está em operação na fábrica da Dell em Hortolândia, em São Paulo, mas terá uma segunda fase de desenvolvimento que possibilitará a comunicação do operador surdo com o líder da linha de produção. Para comunicar qualquer informação, como a necessidade de pausa por algum motivo, a pessoa surda selecionará uma das mensagens pré-definidas para ativar um sintetizador de voz que mandará um comando via rádio para o líder. No momento em que o líder tiver que se comunicar, a fala será transformada em Libras ou em texto por meio de um algoritmo.

Foto: Dell Technologies

Realidade aumentada ajuda a construir computadores

Conhece realidade aumentada? Pois bem, o ARTRADE (Accessible AR-based Training Platform) é uma solução baseada nessa tecnologia que ajuda a capacitar pessoas com deficiência a montarem equipamentos da Dell Technologies. Os óculos de realidade aumentada possibilitam uma mistura entre elementos reais e virtuais. “Se o funcionário vestir o ARTRADE, ele conseguirá montar o dispositivo Dell sem mesmo conhecer os componentes que o constituem”, afirma Éder.

lead dell

Foto: Dell Technologies

Lead dell

Foto: Dell Technologies

Lead dell

Foto: Dell Technologies

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Tutor virtual auxilia alunos de curso EAD

A solução faz parte do programa de ensino à distância. De acordo com o Ministério da Educação, é necessário ter um tutor para cada 30 alunos, ou seja, quanto maior o número de matriculados no curso, maior o número de tutores. O STUART (Smart Tutor) surge como um tutor inteligente, que aprenderá as principais e mais recorrentes demandas dos alunos, além de verificar o andamento do curso de cada um. Dessa forma, o tutor humano terá mais tempo para fazer o trabalho intelectual.

Ferramenta torna sites acessíveis para pessoas com deficiência

Se você se incomoda com sites que, quando abertos, tocam música, imagine as pessoas com deficiência visual que dependem de um dispositivo de leitura de tela para entender o que estão acessando. Ruídos demais ao mesmo tempo, né? O WAL (Website Accessibility Layer) não só resolve esse tipo de problema, como também diversos outros relacionados a som e imagem em sites não adaptados para pessoas com deficiência. “É uma ferramenta de acessibilidade que desabilita músicas, altera tamanho de fonte, muda cor de fundo, carrega Libras e muito mais”, diz o chefe do LEAD.

Barra do WAL / Foto: Dell Technologies

“Todas essas soluções e outras que criamos têm tido resultados positivos, por isso o projeto de acessibilização das nossas fábricas é global”, ressalta Éder. “O que está sendo desenvolvido na Dell Technologies Brasil será aplicado mundo afora”.

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