Empresas lucram mais ao se abrirem para a diversidade

Uma pesquisa indica que políticas inclusivas para cargos executivos aumentam os ganhos das empresas em até 33%. Mesmo assim, adicionar o mix humano parece um desafio para o mundo corporativo. A Dell Technologies considera uma oportunidade

Encontrar a palavra “diversidade” no vocabulário das empresas virou lugar comum. Basta abrir o LinkedIn para ver equipes com “mix de pessoas” sendo celebradas e ler relatos de cases que “brilharam” por sua diversidade. Elogiar campanhas publicitárias que tomaram o cuidado de não seguir um padrão estético imposto, então, virou clichê. E na prática?

“É preciso profissionalizar o tema e elevá-lo para o mesmo grau de seriedade e comprometimento de outras áreas de negócio”, completa o consultor, que passou a assessorar as corporações na criação de ambientes mais plurais a partir de um sentimento pessoal. “Tenho proximidade com o tema pelo fato de eu próprio ser LGBT. Sempre me intrigou e me incomodou o preconceito no ambiente de trabalho. A consultoria foi uma oportunidade de juntar esses dois mundos, o acadêmicoe o de mercado, me colocando para dialogar e ajudar a sociedade a avançar sobre o tema da diversidade”, diz Ricardo.

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“A conscientização de uma empresa passa pela importância dada ao tema na formação dos líderes, de uma observação atenta sobre o que acontece no ambiente de trabalho e de um levantamento demográfico sobre qual é a realidade daquela organização. Mas, acima de tudo, é necessário ter um incômodo para que se possa tomar pé da situação e partir para uma estratégia. No mundo empresarial tudo tem estratégia, objetivos, indicadores, acompanhamentos e metas”, diz Ricardo Salles, fundador da consultoria Mais Diversidade e pesquisador da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

O MIX DE PESSOAS AGREGA VALOR (E DÁ LUCRO!)

A inclusão, além de democratizar oportunidades, é lucrativa. Uma pesquisa intitulada “A Diversidade como Alavanca de Performance”, feita este ano pela consultoria McKinsey, constatou que promover a mescla de gêneros em cargos executivos aumenta o potencial de lucro em até 21%. Se essa abertura for também étnica, a tendência de crescimento sobe para 33%.

Embora os benefícios financeiros sejam promissores, eles não são os únicos – e nem necessariamente os mais atraentes. Equipes mais diversificadas apresentam pensamentos, vivências e soluções diferentes para os mesmos problemas, porque resultam de diferentes experiências de vida. Se todos tiveram sempre as mesmas oportunidades, como poderiam trazer uma diversidade de respostas? “Esse ambiente diverso e inclusivo tem maiores taxas de engajamento. As pessoas produzem melhor porque se sentem representadas, e assim exercitam mais sua criatividade e a capacidade de imaginar ideias inovadoras”, diz Ricardo.

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O consultor de diversidade lembra também que os consumidores passaram a enxergar as marcas sob novos ângulos, e um deles é o da inclusão. “É cada vez mais comum o público criar uma expectativa de posicionamento das empresas sobre determinado tema. Nesse sentido, ter os atributos da inclusão é fundamental para a consolidação da diversidade no negócio”, reforça Ricardo. Em outras palavras, é só imaginar uma empresa que quer falar com propriedade sobre racismo, mas não tem negros na equipe.

O engajamento que gera produtividade e o consequente aumento de lucro formam uma trinca cada vez mais valorizada pelas corporações. A Dell Technologies é uma delas. Dentro da empresa, existem vários grupos para discutir, empoderar e dar espaço para os mais diversos perfis de funcionários. O Pride, voltado para o público LGBTQI+, o Women in Power, para mulheres, e o True Ability, para funcionários com deficiência, são os três principais. “Ao longo das últimas duas décadas, aliamos uma cultura de diversidade à colaboração especializada e às soluções tecnológicas, construindo assim as bases para apoiar a atual transformação das empresas e da sociedade brasileira”, diz Luis Gonçalves, presidente da Dell Technologies no Brasil, que tem a meta de ser a empresa mais acessível do mundo.

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O sucesso da cultura da diversidade implementada na Dell Technologies pode ser aferida pela multiplicação de histórias bem-sucedidas. Já houve até colaborador que passou pela transformação de gênero enquanto era funcionário da companhia, sem que isso impactasse sua relação profissional com a Dell Technologies. O grupo LE@D, que é parte do True Ability, tem uma parceria com a Universidade Estadual do Ceará para a busca de soluções que gerem oportunidade e empregabilidade para pessoas com deficiência. Dessa colaboração já nasceram até exoesqueletos, que foram desenvolvidos para possibilitar o trabalho na linha de produção de pessoas que não conseguem ficar em pé sozinhas..

COMO PERCEBER SE EXISTE MESMO DIVERSIDADE NA EMPRESA

Em muitas companhias, a diversidade soa bonita no papel, mas na prática a teoria é outra. Como perceber se a inclusão realmente é praticada? “Dois dos indicadores são o compromisso da liderança com esse tema e a atenção que a empresa dá ao assunto em nível estratégico. Uma empresa que tem metas, indicadores e sistema de governança que acompanha e monitora os resultados tem mais chances de avançar na diversidade”, diz Ricardo Salles. Como não existe uma lei que defina o quão diverso um quadro de funcionários precisa ser — a não ser para pessoas com deficiência, que devem ocupar pelo menos 2,5% do quadro nas empresas a partir de 100 funcionários —, vai da vontade de cada corporação escolher o grau de inclusão que busca promover. As empresas mais comprometidas vão além do mínimo.

Engajador e motivante para quem está dentro dele, um ambiente diverso desperta o desejo de quem olha de fora. O testemunho dado pelos funcionários que se sentem incluídos é outro termômetro da diversidade dentro das empresas. “Meus amigos têm vontade de trabalhar aqui, principalmente porque estão em corporações conservadoras”, diz Sara Carnio, analista de logística internacional da Dell Technologies e uma das líderes do grupo Pride. Essa satisfação interna fez com que a companhia fosse reconhecida como uma das Melhores Empresas para Trabalhar na América Latina pelo terceiro ano consecutivo, garantindo o quarto lugar entre as mais de 1.400 participantes. “Esse resultado reflete a cultura da Dell de valorização e respeito às pessoas, com políticas voltadas a promover a diversidade e a ética ao mesmo tempo que garante o equilíbrio de vida e desenvolvimento dos profissionais”, orgulha-se´o presidente Luis Gonçalves, como se orgulham outros tantos funcionários da empresa. Porque orgulho, na Dell Technologies, é um direito.