E se meio time de uma gigante de tecnologia fosse mulheres?

Com o apoio de seu grupo de empoderamento feminino Women in Action, a Dell Technologies planeja ampliar a presença das mulheres para 50% do quadro de colaboradores e 40% da liderança, metas que a própria companhia estabeleceu para 2030

A luta pela igualdade de gênero nas empresas tem de ser diária e ter metas claras. Engajada e inclusiva, a Dell Technologies está sempre em busca de novos caminhos para que seu quadro de colaboradores seja o mais diverso possível. “Há 10 anos, criamos o Legacy of Good 2020 com metas bastante ambiciosas e estamos muito orgulhosos em afirmar que superamos a maioria delas antes do previsto. Por isso, lançamos os novos objetivos do Progress Made Real focando em áreas que acreditamos ser de maior impacto”, disse Michael Dell, presidente e CEO da Dell Technologies, durante o Dell Technologies Summit, em Austin, nos Estados Unidos.

Os desafios para a empresa na próxima década já estão claros. Um dos moonshots (termo em inglês que significa algo como “grande projeto de inovação”) do Progress Made Real (ou Plano 2030) é equiparar a quantidade de mulheres ao número de funcionários homens, além de ampliar a presença delas nos cargos de liderança. Em uma conversa com Luciane Dalmolin, diretora de Vendas para Pequenas Empresas da Dell Technologies e líder do Women in Action, grupo de diversidade da companhia voltado para o desenvolvimento feminino, descobrimos como os próximos passos dessa trajetória serão dados.

DELL Technologies Transforma – Trabalhar em uma empresa com iniciativas de igualdade de gênero muda a maneira como você encara sua evolução de carreira?
Luciane Dalmolin – Totalmente. Temos dentro da Dell Technologies ações genuínas com foco em diversidade. A igualdade de gênero é só uma delas. Isso fortalece a segurança das colaboradoras, pois elas acreditam que é possível dar um passo à frente e se desenvolver dentro da companhia. Temos vários exemplos, inclusive de mulheres sendo promovidas a diretoras durante o período de licença-maternidade. Estou no meu segundo ano de liderança no Women in Action, que foca no desenvolvimento feminino criando atividades de fomento a programas de mentoria, treinamentos e várias iniciativas que apoiam o avanço da carreira de nossas funcionárias.

DTT – O que foi definido como meta para 2030?
Luciane – Temos objetivos reais e globais. Em dez anos, queremos que 50% da nossa população de funcionários seja composta por mulheres. Atualmente, a Dell Technologies tem mais de 150 mil colaboradores ao redor do mundo. Além disso, buscamos também que 40% das nossas lideranças sejam femininas. São focos claros e nossas atividades começam a ser voltadas para tornar esse cenário realidade. Por exemplo, o time de recrutamento tem de identificar mais mulheres para os processos seletivos. Temos muitas em cargos de gestão, mas queremos que essas funcionárias ocupem posições de mais relevância e complexidade, que se tornem diretoras e vice-presidentes.

Outra questão a ser levada em conta é que apenas 10% dos cargos técnicos – em desenvolvimento de sistemas, por exemplo – são ocupados por mulheres em nosso cenário global. Essa é uma característica do mercado de tecnologia no geral. Vimos nisso uma grande oportunidade de criar iniciativas que fomentem a vinda delas para essa área. A ideia é ir além da base. No Women in Action, fazemos algumas atividades nas escolas com a intenção de despertar o interesse dessas meninas, para que elas escolham a tecnologia em cursos universitários. Esse é um dos pontos que trabalhamos fortemente dentro da Dell Technologies.

 

DTT – Como funcionam dentro da Dell Technologies as atividades que empoderam as mulheres? Todo mundo pode participar?
Luciane – Temos no Women in Action 50 pessoas trabalhando, entre liderança em pilares específicos e participantes que desenvolvem as atividades. Em geral, as ações são abertas ao público. No começo de março, fizemos uma atividade de design thinking convidando a população da empresa a pensar como poderíamos trazer mais mulheres para dentro da companhia. Foi uma discussão bem rica, com vários pontos de vista e iniciativas que podemos desenvolver dentro da empresa.

DTT – O que mais o Women in Action faz no dia a dia para que essas metas sejam atingidas?
Luciane – Somos um braço que pensa atividades e tem um compromisso com o time de Recursos Humanos. Vou dar um exemplo: quando vamos contratar um executivo de compra e venda para a área externa, se 20% dos currículos que chegarem for de mulheres será muito. Geralmente, os talentos que se candidatam são homens. O que decidimos fazer: trabalhar na maneira como escrevemos a descrição da vaga. Há pesquisas que mostram que algumas palavras são mais atraentes para o gênero masculino, e estamos focadas nesse nível de detalhe para conseguir mais candidatas no nosso recrutamento. É importante lembrar que o profissional escolhido será o melhor para a vaga. Homens não serão preteridos. O desafio é atrair essas mulheres.

DTT – O que norteia o Women in Action?
Luciane – Tivemos uma reunião de planejamento no início do ano fiscal com ideias muito pertinentes, mas que não estavam alinhadas com o objetivo 2030. Agora, quando pensamos em algo novo, precisamos que responda positivamente a pelo menos uma destas perguntas: 1) Estou ajudando a atrair mais mulheres? 2) Estou auxiliando no desenvolvimento para lideranças? Temos a responsabilidade e um papel muito importante para fomentar essas duas questões dentro da organização.

DTT – Quais mulheres te inspiram dentro da Dell?
Luciane – Existem muitos exemplos de mulheres que cresceram dentro da empresa. Dizemos brincando que exportamos nossos talentos, porque existem três vice-presidentes brasileiras – duas em finanças e outra em vendas – que estão atuando nos Estados Unidos. Isso é mérito da grande capacidade dessas profissionais, que tinham papéis extremamente relevantes aqui e foram convidadas a assumir responsabilidades maiores e mais complexas. Gostaria de ver mais disso acontecendo.