Como funciona o 5G? Ele vai puxar a onda de transformação

De carros autônomos a streamings sem delay, a quinta geração da rede de dados promete dar vida a soluções tecnológicas que devem revolucionar (de novo!) o cotidiano da sociedade

É difícil imaginar o dia a dia sem acesso à internet pelo celular. Na verdade, nem precisamos ir tão longe: é difícil imaginar nosso cotidiano sem acesso à internet rápida pelo celular. Voltar ao tempo em que não existia 3G e 4G é quase voltar ao tempo do pager, quando trocar mensagens, fotos, vídeos e arquivos instantaneamente, de qualquer lugar do mundo, parecia ficção do desenho “Jetsons”. Pois daqui a três anos, o inimaginável será uma vida sem 5G para baixar um filme em menos de 5 segundos.

As pesquisas para o desenvolvimento dessa tecnologia se iniciaram há mais de 10 anos, mas a quinta geração de telefonia móvel só se tornou assunto no cotidiano recentemente. O 5G ganhou rápida popularidade não apenas pela promessa de inaugurar um “novo mundo novo”, mas também por ser um dos principais desenvolvimentos tecnológicos em pauta em dois países que são potências mundiais: Estados Unidos e China.

 

A Coreia do Sul foi o primeiro país do mundo a comercializar a tecnologia. Dois meses depois, em julho de 2019, a China lançou seu primeiro telefone 5G, e, em novembro, já tinha disparado na corrida tecnológica, mesmo com outras companhias estrangeiras no seu encalço, como os EUA.

 

O que é necessário para a implementação do 5G no Brasil?

Antes de adotar o 5G proveniente de qualquer país do mundo, o Brasil tem questões domésticas a resolver. Uma delas é a realização do leilão de radiofrequências para o uso dessa tecnologia – isto é, da concessão do “ar” por onde circulam os dados enviados e recebidos por dispositivos como smartphones e computadores –, que deverá acontecer, segundo a Anatel (Agência Nacional das Telecomunicações), entre o final de 2020 e o início de 2021.

Muita gente não sabe, porém, que existe uma condição necessária para a implantação da rede. “A frequência na qual o 5G será implantado já está sendo usada pelo serviço de TV aberta por satélite. Se colocar o 5G no ar, haverá interferência mútua”, explica Henry Rodrigues, coordenador de tecnologia e inovação da Inatel (Instituto Nacional de Telecomunicações), o órgão responsável pela criação da segunda rede de quinta geração no Brasil. “Mover a frequência de antenas parabólicas seria a solução, mas isso significa ir para outro satélite e, portanto, mudar o aparelho inteiro.”

A transformação digital das operadoras de telefonia móvel também é chave para a utilização da tecnologia. Quando você consome dados, hoje, seu sinal está passando por vários equipamentos de empresas de telefonia móvel. A maioria deles tem sido substituída por servidores. A Dell Technologies, por exemplo, que é fabricante de servidores com suporte VMware [fornecedora de softwares de virtualização e cloud], está preparada para ajudar as redes móveis a se transformarem digitalmente para instalar o 5G.

 

A transformação tecnológica após o 5G

A evolução da tecnologia de conexão é a resposta a um cenário de telefonia móvel em que o consumo de dados é maior do que o de voz. As diferenças entre o 3G e o 4G, por exemplo, já foram gritantes, e o mesmo acontecerá entre o 4G e o 5G. A quarta geração proporcionou um serviço de conexão mais rápido do que se tinha na terceira. O 4G permite consumir HD no celular sem estar conectado no wi-fi, enquanto o 3G não conseguia entregar isso.

 

 

Com a implementação da quinta geração, os benefícios serão vários e, em alguns casos, inimagináveis. A partir de suas características de alta vazão, que melhora a velocidade da internet, e de baixa latência, que diminui o famoso delay com que os aparelhos recebem dados, diversas áreas da tecnologia serão aprimoradas. A promessa é de que a rede fique muito mais rápida, inteligente e eficiente. Espera-se uma velocidade de 100 gigabits por segundo, o que é 100 vezes mais rápido do que vemos no 4G.

Dar (muito) mais velocidade a downloads, uploads e streamings é só uma pequena parte da evolução que o 5G deve proporcionar. Com o exponencial aumento de performance, as portas para a chamada Internet das Coisas (Internet of Things, ou IoT, em inglês) e seu universo de possibilidades serão escancaradas de vez. Mesmo que o 4G tenha dado conta do primeiro nível dessa tecnologia ao permitir, por exemplo, que os usuários acompanhem o pedido de comida pelo aplicativo ou monitorem a pulsação pelos smartwatches, o que será oferecido pela quinta geração não está ao alcance das conexões atuais.

Outro protagonista das soluções futuristas que se avizinham é a Inteligência Artificial. O dia em que veremos um carro autônomo nas ruas, por exemplo, pode não estar tão longe. Grandes desenvolvedores já apresentaram modelos desses veículos, mas o funcionamento real de uma cidade com “self-driving cars” em circulação só será possível com o suporte da tecnologia 5G.

“Imagine que os carros autônomos já estejam circulando. Para evitar uma colisão, um carro aciona o freio. Como eles se comunicam entre si, o que vem atrás tem que receber essa mensagem e tomar a decisão de frear também. A comunicação precisa ser instantânea. Exige baixa latência”, afirma Henry, da Inatel.

 

O 5G vai permitir a criação de serviços em todas as áreas da economia. Na medicina, existe a possibilidade de fazer cirurgias remotas a partir dessa tecnologia. Outro exemplo: uma empresa europeia vende ingressos virtuais para o show de uma banda lá na Europa, e você está no Brasil. Colocando os óculos de realidade virtual e os fones de ouvido, será possível assistir ao show, em tempo real e sem delay, de qualquer lugar da plateia, inclusive no palco, ao lado dos músicos.